Levantei e me vesti.
Derek já tinha saído, deixando apenas um bilhete: "Eu fui
até o mercado mágico comprar algumas coisas para Nathan fazer poções, volto
logo. Te amo".
Ele tinha ido comprar para o Nathan e não com o Nathan. Ou seja, Nath ainda estava na casa.
- Oi? - disse ele, da porta. Pulei. Que susto! - Te assustei?
- Um pouco. Só estava pensando. Que poção você vai fazer?
- Quero expandir o poder para uma cidade toda. Será que eu seria
capaz de cegar todos por alguns segundos? Ou matar tanta gente? É interessante.
- Matar?
- Eu não faria isso, mas seria interessante ter esse poder. Derek
foi comprar ingredientes que podem me ajudar.
- Ah. Posso perguntar uma coisa?
- O que?
- Bem... O que você... O que você achou de virmos para cá?
Eu queria saber o que ele achava disso. Não sabia se estava
incomodando ou não.
- O que eu achei? Eu adorei! Já faz sei lá quantos anos que estou
morando sozinho, e ter companhia é sempre bom! E, além do mais, eu gosto de
vocês. Dos dois. Mas acabei me interessando por você. Mas ele chegou primeiro e
respeito isso. E eu gosto realmente de você, e não seria capaz de trair meu
amigo, entende?
- Sim. Mas e se eu quisesse? - onde eu estava com a cabeça? Ele
não estava usando nenhum feitiço para me fazer gostar dele, mas ainda assim
estava falando tudo, como se ele me obrigasse a falar só a verdade.
Os olhos dele brilharam.
- O quê?
- E se eu quisesse fazer isso? - Seria um amor doentio, um
triângulo amoroso. Eu amava Derek, muito. Toda vez que nos beijávamos parecia o
primeiro beijo: suave e apaixonado. Mas Nathan estava ali e a presença dele
mexia com a minha cabeça, como se eu necessitasse dele. Isso
chegava a ser esquisito, mas era verdadeiro.
- Desculpe, eu acho que fiz isso de novo. - Ele fechou os olhos,
nada aconteceu. Abriu e fechou os punhos, mas nada acontecia.
- Você não está fazendo nada. Eu é que fiquei louca de vez,
desculpa.
E ficamos ali, um olhando para o outro. Meu Deus, que loucura! Eu
ainda não acredito no que aconteceu.
Ele colocou a mão em meu pescoço, como se estivesse perguntando posso?, e eu deixei. Queria
me afastar, mas isso não aconteceu. Então ele se aproximou devagar até encostar
os seus lábios nos meus.
Eu me afastei.
- Desculpa, de novo. - disse ele.
- Não, deixa. Esquece isso, tudo bem?
A ideia de esquecer seria difícil.
- Claro.
Derek chegou nesse mesmo instante.
- O que ouve? Vocês estão com cara de mortos.
- Eu posso falar com você, lá no quarto?
- O.k.
Eu o levei até o cômodo em que tínhamos passado a noite.
- Então... é o seguinte.
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