terça-feira, 4 de junho de 2013

Fugindo de Problemas #4

 - Então, para onde vamos agora? - perguntei.
 Estávamos parados no ponto de ônibus. Até o momento, só sabia que tinha uma gangue e que meu companheiro era um feiticeiro.
 - Vamos pegar um ônibus que vá até essa rua. - Derek apontou para um pedaço de papel, escrito com aquela letra super linda. Muitas vezes eu via e olhava: foi esse garoto que escreveu isso? É muito bonita!
 - O que tem nessa rua?
 - Um cemitério abandonado.
 Minha cara perdeu a cor.
 - Estou brincando. É uma fábrica, muito antiga. À noite serve de abrigo pra ratos. Acho que quase ninguém trabalha lá, não mais. Todos eram muito velhos, devem ter morrido à anos.
 - E por que vamos para a fabrica?
 - Por quê? Ora, nós vamos procurar lá.
 Ainda tinha uma dúvida: e se nós achássemos. Ele disse que iríamos exterminar todos. Mas seria assim: chegou acabou?
 - Derek, eles tem poderes também?
 - Sim. Um lobisomem, um outro feiticeiro, e outros que lêem mentes. Todos loucos.
 - Outros?
 - Sim, no total são seis.
 - Seis?! Somos dois, e só você tem poderes. Como pretende acabar com eles?
 - Não faço a menor ideia. Mas pra tudo tem jeito.
 Para tudo tem jeito? Eu queria que fosse verdade.
 Ficamos um tempo sem falar nada. Até que eu decidi falar.
 - Você disse que já matou. Quem?
 - Chegou o ônibus. Vamos Rose.
 Culpa do ônibus.
 Sentamos em bancos diferentes (ônibus é sempre lotado, uma droga). Ele estava à uns três bancos de distância do meu lugar.
 Fiquei pensando no que viria a seguir. Pensei primeiro: E se a gangue estivesse lá?
 Teríamos chances? Conseguiriamos? Ou não?
 Pensei depois: E se eles não estivessem lá?
 O que ia acontecer? Onde iríamos achá - los?
 Quando eu desci do ônibus - acompanhada por um discreto sinal de Derek - não sabia o que era melhor: se a gangue estivesse ou não lá.
 - Enfim chegamos - disse ele, apontando para uma construção. Ao contrário do que você deve imaginar, não era um lugar sombrio e obscuro. Era apenas... antigo. Antigo não quer dizer atraente, com certeza.
 - É aqui? A fábrica?
 - Sim. Sei que pode parecer que não é abandonado. Engano seu.
 Era só o que me faltava: um lugar abandonado. De noite.

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